“Aqui estamos frente a frente, você desvia o olhar sempre que tem chance, não para de olhar para o relógio esperando com que o tempo passe, mas o tempo parece estar parando. Queria que só essa noite você pudesse me contar a verdade, que pudéssemos agir civilizadamente, mas parece que você não quer isso. Tinha tanto medo de que isso acontecesse um dia, tentei evitar ao máximo, mas parece que não foi o suficiente. Já não te conheço mais, está se tornando um estranho, um estranho que sempre vejo no ônibus a caminho do trabalho. Parecemos presos em uma espécie de caixa, mas não passa de um cômodo empoeirado. Acho que o nosso final já havia começado há muito tempo atrás, e todos aqueles planos que criamos foram todos apagados de nossas vidas sem que pudéssemos notar. E agora as estrelas do nosso mundo estão desabando sobre nós, mas não estamos de mãos dadas. Cada um está correndo para caminhos opostos, onde tudo parece ser bem melhor. A distância já está tão grande que não posso mais te sentir, queria poder dizer que nada disso é real, mas você já saio pela porta faz tempo.”